Malária, um caso clínico, o senhor dos anéis

Antes de tudo, peço desculpa aos colegas leitores que não estão atuando na área da saúde, este é um post técnico, mas tenho certeza que o assunto vai ser interessante. Todos sabem que eu trabalho em um laboratório dentro de um hospital, e nesta noite de carnaval eu estava de plantão, quando o relógio acabava de bater meia-noite, chegava na emergência um paciente com suspeita de malária. Um senhor de 46 anos, Sr. Aldo, estava trabalhando na região do alto Xingu, local que ainda concentra muitos casos de malária, veio passar o carnaval e trouxe o problema para ser resolvido aqui no hospital.

A técnica que trabalha comigo foi até a emergência fazer a coleta e trouxe o sangue do Sr. Aldo, fizemos o hemograma completo, logo percebi, ao ler a lâmina com um esfregaço de sangue, que tinha presença de Plasmodium vivax, a foto mostra como são os trofozoítos, um tipo de anel dentro das hemácias, as células vermelhas que percorrem nossas veias e artérias, muitas delas tinham a presença desta estrutura, até poderíamos chamá-lo de senhor dos anéis, enquanto isso, ele contorce em febre, treme no pronto atendimento.

Depois disso fiz uma lâmina pela técnica da gota espessa, onde uma porção de sangue é colocada na lâmina e espalhada em uma área pequena para concentrar o material a ser pesquisado, depois disso é feito uma coloração chama de Giemsa, aliás eu estou desenvolvendo uma modificação nesta técnica, tenho que patentear. Depois que o material que foi preparado estiver seco, olhamos no microscópio e observamos os anéis, trofozoítos presentes no material, comunicamos a CCIH para as devidas notificações e liberamos o laudo, malária por P. vivax, positivo, três cruzes. Maiores detalhes sobre a técnica e demais procedimentos, baixe o manual de diagnóstico laboratorial da malária.

Depois disso realizei algumas dosagens bioquímicas, além do hemograma que já tinha realizado, vou lançar aqui estes dados para acompanhamento por outros colegas que trabalham com este material, um relato desta experiência na noite de carnaval.

Como é típico nestes casos, as plaquetas estavam baixas, 76 mil; hemácias: 4.5 milhões/mm3; hemoglobina: 12,7 g/dl; hematócrito36,1%; RDW: 14,1%; leucócitos: 5.6milhões/mm3; na diferencial eosinófilos e bastonetes estavam normais. As dosagens bioquímicas, Sódio: 124,2 mEq/l; potássio: 3,3 mEq/l; gama GT: 20 U/L; uréia: 38 mg/dl; creatinia: 1,20 mg/dl; glicose: 105 mg/dl; LDH: 1238 U/L; fosfatase alcalina: 115 U/L; TGO: 28 U/l; TGP: 18 U/l; Bilirrubina total: 11,98 mg/dl; bilirrubina direta: 0,79 mg/dl; bilirrubina indireta: 11,19 mg/dl. Algumas provas alteradas, como a bilirrubina e LDH com acentuada alteração e outras com discretas modificações ao comparar com os valores de referência.

Fiz algumas lâminas para disponibilizar aos colegas que solicitarem, outras informações podem ser solicitadas nos comentários.

O paciente, Sr. Aldo, já está sendo medicado e passa bem. Entende porque sou apaixonado pela minha profissão, posso colaborar para melhorar a vida das pessoas. Este post foi um relato de caso clínico para ser comparado com outros estudos.

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Tânia Huebra
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Tânia Huebra

Boa tarde!
Agradeço sua colaboração, pois como há muitos anos, não recebia pacientes de área endêmica para pesqisa de Malária, recorri ao Google, onde encontro seu comentário. Acho muito legal encontrar alguém tão apaixonado(a) por laboratório, quanto sou! Sempre que posso ajudar a um(a)colega, faço com muito prazer! De que adianta guardar conhecimentos a 7(sete) chaves, quando nem sempre distante, nem sempre por perto, há sempre alguém necessitando de uma ajuda, para então ajudar o(a) outro(a) em um diagnóstico bem feito? Mais uma vez, obrigada e parabéns pela sua maneira de ser profissional!!!