A realização de exames preventivos regulares sempre esteve presentes nos programas de saúde municipais, e nas políticas do ministério da saúde, no caso do câncer de próstata, o INCA – Instituto Nacional do Câncer, coloca em dúvida a necessidade da realização dos exames toque retal e do PSA – Antígeno Prostático Específico, seguindo o que é preconizado pela OMS – Organização Mundial da Saúde, em casos que não exista sintomas clínicos da doença, proposta que a Sociedade Brasileira de Urologia não aceita.

A gerente de Divisão de gestão da Rede Oncológica do Instituto Nacional do Câncer (INCA), diz que não existem evidências científicas de que o rastreamento para o câncer de próstata reduza a mortalidade causada pela doença.

Este tipo de Câncer tem uma particularidade, mesmo sendo frequente em homens acima de 50 anos, grande parte não se desenvolve, nunca causariam problemas de saúde ao paciente, nos casos que são descobertos, os pacientes são tratados, passam por sérios transtornos, pois os procedimentos são agressivos e comprometem muitas funções fisiológicas (causa impotência sexual), psicológicas, além de outras intercorrências, em muitos casos este câncer, nem iria se desenvolver.

“Estudos demonstram que o câncer de próstata é evidenciado histologicamente em 30% dos exames pós-morte em homens com mais de 50 anos. Isso significa que, num grande número de homens, a doença está presente, mas nunca evoluirá”, pontua Ana Ramalho.

De acordo com estas observações, seria indicado realizar o toque retal somente homens que tenham sintomas evidentes, urinar repetidas vezes, principalmente à noite; sangue presente no exame urinário (EAS), jato fraco e dor ao urinar, seriam as condições para realizar o exame toque retal durante a consulta clínica.

Além disso, o exame PSA, o qual realizo no laboratório onde eu trabalho, também “estaria na berlinda”, o exame teria que ser realizado apenas quando os sintomas do câncer de próstata estivessem presentes.

A Organização Mundial de Saúde também não recomenda a estruturação de programas de rastreamento para o câncer de próstata.

Diferente do que recomenda o INCA e a OMS, a Sociedade Brasileira de Urologia preconiza que o exame deve fazer parte da rotina clínica para rastreamento da doença.

Tanto o toque retal como o PSA, não são adotados como política de saúde para rastrear câncer de próstata em outros países, a não ser os EUA que utilizam largamente o PSA.

Mas o INCA recomenda que os homens façam a opção pela realização do exame ou não, e os médicos devem informar sobre os riscos que estaria exposto em casos indicativos de tratamento, e serem informados também sobre o risco de não tratar e a suspeita clínica evoluir para um câncer.

Os homens podem ficar um pouco bravos com o que eu vou dizer, mas acredito que os exames, toque retal e o PSA, devam continuar sendo realizados pelos médicos assistentes, é a forma mais prudente de agir neste momento que os estudos ainda não confirmaram que eles tenham que ser reservados apenas para os casos que apresentem sintomas clínicos, mesmo que algumas destas pesquisas indiquem seu uso apenas nestes casos.

Adotar hábitos saudáveis de vida, diminuir consumo de álcool, não fumar, fazer exercícios pelo menos 30 minutos diários, são práticas capazes de reduzir o risco de desenvolvimento de certas doenças, entre elas o câncer.

Você vai fazer o toque retal ou não?

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[Atualização 23.11.08]

Depois de muitas opiniões, algumas delas registradas nos comentários, o INCA , muda de opinião quanto ao assunto do câncer de próstata, volta atrás e pede que os pacientes não deixem de visitar seu médico regularmente e principalmente fazer os exames de toque retal e PSA rotineiramente, como sempre foi, alegam que ocorreu um equivoco.

“Houve, sim, um equívoco de comunicação. Houve uma confusão em relação ao que foi dito e ao que foi divulgado. Na realidade, o Inca não deixa de recomendar que os pacientes vão aos seus médicos, a seus urologistas, que eles façam o exame completo”, admite o vice-diretor do Inca Luiz Augusto Maltoni.

Portanto como eu havia dito, seria  mais prudente aguardar o desenrolar dos fatos, homens como já havia recomendado em um outro texto, continuem fazendo seus exames de rotina, começando aos 40 anos aqueles que possuem alguma história de câncer de próstata na família, e aos 45 anos, homens que não possuem nenhuma história familiar desta doença.

O espaço está aberto para quem quiser emitir sua opinião, claro, de maneira equilibrada e sem ofensas, como sempre foi feito.

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