
Um deles gritava: “Tirar sangue não, não, agulha não. Mãe vamos embora, por favor. Eles vão arrancar meu braço, mãe, socorro”.
De nada adiantou a psicologia, a calma, a conversa empreendida pelas moças da coleta com o intuito de realizar o procedimento de retirada do sangue sem ter que usar a força bruta.
Crianças ou mesmo adultos sentem medo, é natural, mas estou falando é de pânico, e grande parte dos casos de crianças que não aceitam de forma relativamente tranquila receberem a pequena espetada da agulha sem despejarem toda força de seus fortes pulmões em um choro desesperado e sofrível é devido a metodologia que o pai e a mãe usam para se impor em situações corriqueiras em outros momentos da vida.
Muitos pais fazem terrorismo com seus filhos dizendo, “Se não comer tudo, vou te levar para tirar sangue. Ou, “Se mexer mais uma vez no controle da televisão vou levar você para tomar injeção”. Esta metodologia é falha.
Digo que esta forma de agir, coagindo a criança, algumas vezes surte efeitos momentâneos, mas futuramente os problemas serão outros, medo, dúvida, angústia.
Observo no laboratório, e as colegas de trabalho que ficam mais diretamente neste setor também relatam, 80% das crianças que se desesperam exageradamente, entram em pânico, ocorrem em crianças que os pais aplicaram metodologia de coação.
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