Plaquetas baixas na dengue hemorrágica

Já comentei sobre dengue e exames que podem ser feitos para confirmar suspeita de dengue em outros textos aqui no blog, mas desta vez venho comentar que nesta ultima semana no laboratório do hospital liberamos vários laudos com um quadro típico de dengue hemorrágica, alguém que não estivesse sabendo da quantidade de casos que estavam sendo atendidos no hospital de referência suspeitaria de problemas no equipamento automatizado de hematologia que faz a contagem das células sanguíneas, leucócitos, hemácias e também plaquetas, de 30 hemogramas liberados no início da manhã, 4 estavam sendo acompanhados e dois novos casos acabavam de entrar pelo pronto atendimento.

Aqueles pacientes internados que fazem o controle das plaquetas 1 a 2 vezes por dia, tudo bem, já sabíamos dos casos, mas repetidamente novos casos chegam ao hospital, diante disso, duas coisas chamam a atenção, a época que ocorreram, fora de temporada de chuva e a fácil delimitação da região que moravam os pacientes afetados pela doença.

Estes dois fatos abordados anteriormente revelam uma fragilidade do sistema de vigilância e de ação contra a dengue, e a culpa não é apenas da atual administração pública, mas também das anteriores, que trabalhavam com acções apenas de duração mínima e também da população desta área afetada.

Voltando a questão dos exames, a dengue hemorrágica é caracterizada, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), por alterações laboratoriais e clínicas, sendo que laboratorialmente, como referi anteriormente, as plaquetas apresentam baixas, tipicamente pela diminuição de plaquetas abaixo de 100 mil e elevação de hematócrito acima de 20% (hemoconcentração), e alterações clínicas um quadro de síndrome febril, de gravidade variável.

Conforme orientações da OMS, o grau da dengue pode ser:

Grau 1 – hemorragia de pele induzida pela prova do torniquete ou do laço (deixa-se o manguito do aparelho de pressão arterial entre a pressão máxima e a mínima por cinco minutos e a prova é positiva se aparecer na dobra do cotovelo, numa área mínima de 2,5 cm², mais de 20 pontos vermelhos, que se denominam petéquias).

Grau 2 – acrescem-se hemorragias espontâneas de pele (petéquias em 1/3 dos casos) e mucosas (nasais, gengivais, aumento do fluxo menstrual, sangramento urinário e/ou vômitos sanguinolentos). Podem ocorrer modificações no paladar (particularmente o paciente pode sentir o gosto de metal).

Grau 3 – acrescem-se derrames cavitários: pleural, peritoneal, pericárdico; e/ou sinais de pré-choque: redução da pressão arterial, do fluxo urinário e do enchimento capilar, pulso fino e rápido, palidez, extremidades frias, sudorese, sonolência.

Grau 4 – sinais de choque: os sinais acima se agravam com pulso e pressão imperceptíveis, ausência de diurese (fluxo da urina), torpor, perda de consciência que podem evoluir ao óbito. Os casos de choque apresentam letalidade entre 10 e 50%.

Quanto a evolução de sintomas, nem sempre segue um padrão laboratorial e clínico e mesmo assim, pode ser um caso de dengue positivo.

Outro setor que está movimentado depois do surgimento destes casos recentes de dengue hemorrágica é o banco de sangue, que distribui concentrado de plaquetas para pacientes que apresentam plaquetopenias significativas.

A doença que começa lá no vaso de plantas com água parada, o mosquito, picada, sintomas, doença, exames laboratoriais, medicamentos, concentrados de plaquetas, transtornos familiares, gastos públicos e até mesmo perda de vidas, formam o mapa da saúde, revelam a importância da rede básica, dos agentes de saúde, e mostra, muitas vezes, a necessidade de mudar o caminho, adequar as políticas públicas.

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janice
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janice

Olá , Sou Mãe de um rapaz de 18 anos e moramos em Arujá Grande São Paulo, meu filho foi picado por um mosquito da dengue e contaminado, passou muito mal foi internado com plaquetas baixíssimas,chegou a 43 milhões, passou muito mal mas graças a Deus encontrei médicos bons e reverteram o quadro e hoje ele se recupera, mas estou revoltada com as autoridades e com a vigilância sanitária da Cidade pois naum tomaram nenhuma medida para prevenir a Dengue.

Só mais um desabafo de uma mãe que quase perde o filho saudável pela dengue,

Obrigado
Janice

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