Coronavírus, como são os resultados de exames laboratoriais, alterações e testes realizados nos primeiros estudos

Depois de um alguns dias de ter ocorrido os primeiros casos provocados pelo coronavírus, já temos um estudo básico descrito por 14 médicos que estão diretamente em contato com os pacientes infectados nos hospitais da China, porém oferece um norte para respostas iniciais de como o vírus age no nosso organismo, e gama de sintomas causados. Destacamos aqui principalmente sobre como são os resultados de exames laboratoriais, alterações e testes realizados no decorrer deste primeiro estudo sobre o vírus.

Os coronavírus podem causar infecções do sistema múltiplo em vários animais e principalmente infecções do trato respiratório em humanos, como Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) e Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS). Desde o início do mês de janeiro de 2020 o sistema de saúde da China informou sobre um número crescente de casos já confirmados de pacientes infectados por um novo coronavírus, designado como 2019-nCoV.

O estado atual sobre o Coronavírus

Os coronavírus podem causar infecções do sistema múltiplo em vários animais e principalmente infecções do trato respiratório em humanos, como Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) e Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS).

Porém, a maior parte dos pacientes mostram sintomas relativamente leves e bom prognóstico. Até agora, alguns pacientes com 2019-nCoV desenvolveram pneumonia grave, edema pulmonar, SDRA ou falência de múltiplos órgãos e morreram.

Depois de casos ocorridos em Wuhan, o vírus foi identificado em demais cidades da China e agora também em outros países, Japão, EUA, Tailândia, e outra localidades com o mesmo problema continua surgindo dia após dia.

Nas primeiras avaliações existe relato de que os pacientes afetados estiveram em um mercado na cidade de Wuhan, onde vendem frutos do mar e animais vivos.

Os primeiros pacientes apresentaram dispneia, febre e infiltrados pulmonares bilaterais em exame rediográfico do tórax. Porém casos com sintomas mais brandos também foram identificados.

As dúvidas sobre a doença causadas pelo coronavírus

Se faz necessário uma averiguação mais pormenorizada dos casos que estão ocorrendo.

Perguntas sobre a maneira de transmissão da doença, risco de transmissão para o homem, se existe casos que não mostram sintomas ou os possui de forma leve e não estão sendo identificados, sobre as fontes de exposição animais e ambientais.

um grupo de médicos que estão trabalhando diretamente com os pacientes na cidade de Wuhan mostraram dados coletados por eles.

O estudo foi publicado em the Lanced, com o objetivo foi esclarecer melhor as características epidemiológicas e clínicas da pneumonia 2019-nCoV. O estudo é um relato dos primeiros 99 casos trados pelo grupo de médicos.

Descrição dos primeiros estudos sobre coronavírus

Na avaliação retrospectiva, foram inseridos todos os casos confirmados de 2019-nCoV no Hospital Wuhan Jinyintan, de 1 a 20 de janeiro de 2020. Confirmação laboratorial feita por RT-PCR em tempo real e verificados ​​quanto a epidemiologia, demografia, clínica, características radiológicas e dados de laboratório.

Todos os 99 pacientes chegaram ao hospital apresentando pneumonia, apresentando pulmões inflamados e os alvéolos carregados de líquidos.

Destes casos 82 tinham febre e 81 apresentavam algum nível de febre. E uma quantidade menor de pacientes mostravam dores musculares, confusão mental e falta de ar, dor de garganta e dor de cabeça.

É importante neste momento relatarmos os índices de cada sinal e sintoma apresentado: Sendo que febre – 83% dos pacientes, tosse – 82%, falta de ar – 31%, dor muscular – 11%, confusão – 9%, dor de cabeça – 8%, dor de garganta – 5%, rinorreia – 4%, dor no peito – 2%, diarreia – 2% e náusea e vômito – 1%. E quanto aos exames de imagem – 75% apresentaram pneumonia bilateral, e 14% dos pacientes apresentaram manchas múltiplas e opacidade em vidro fosco, e 1% pneumotórax. Também 17% desenvolveram síndrome do desconforto respiratório agudo, sendo que – 11% deles pioraram em um curto período de tempo e morreram por falência de múltiplos órgãos.

Os dois primeiros pacientes que foram a óbito estavam aparentemente saudáveis antes do ocorrido, porém eram fumantes e poderiam estar com comprometimento pulmonar.

Os casos de pacientes com Coronavírus

O primeiro caso, um homem de 61 anos o paciente apresentava uma pneumonia grave ao dar entrada na instituição de saúde, com um quadro de síndrome de insuficiência aguda grave.

O paciente foi atendido e recebeu suporte ventilatório mas faleceu 11 dias depois mesmo com os procedimentos tomados pela equipe de saúde.

Outro caso foi de um paciente de 69 anos que também apresentou síndrome de insuficiência respiratória aguda, o mesmo foi colocado em um equipamento que realiza as funções pulmonares, porém morreu com pneumonia aguda e choque séptico.

Resultado de exames laboratoriais de pacientes com coronavírus

Ao ser admitidos no hospital foi solicitado diversos exames laboratoriais como hemograma, TGO e TGP, DHL, PCR e outros, veja os resultados.

Nos hemogramas os leucócitos estavam abaixo da faixa normal em 9% dos pacientes e acima da faixa normal em 24% dos pacientes estudados. Em 38% dos pacientes os neutrófilos estavam acima da faixa normal.  Quanto a Linfócitos e hemoglobina estavam abaixo da faixa normal em muitos pacientes. 

As plaquetas estavam abaixo da faixa normal em 12% dos pacientes e acima da faixa normal em 4%. 

Em 43 pacientes foi identificado graus diferentes de anormalidade da função hepática, com alanina aminotransferase – ALT ou TGP, e o aspartato aminotransferase – AST ou TGO acima da faixa normal; destacando que um paciente apresentou lesão grave da função hepática (ALT 7590 U/L, AST 1445 U/L). 

A maioria dos pacientes apresentou zimograma miocárdico anormal, que mostrou elevação da creatina quinase CK em 13% dos pacientes e elevação da desidrogenase lática DHL em 76% dos pacientes, um dos quais também apresentou creatina quinase anormal (6280 U/L) e desidrogenase lática DHL (20 740 U/L). 

Dos pacientes analisados 7% apresentaram diferentes graus de lesão da função renal, com aumento de nitrogênio uréia no sangue ou creatinina sérica

Também em relação ao índice de infecção, a procalcitonina estava aumentada em 6% dos pacientes. A maioria dos pacientes apresentava ferritina sérica acima da faixa normal. 73 pacientes foram testados para a PCR proteína C reativa, a maioria dos quais apresentava níveis acima da faixa normal.

Outros exames de laboratório realizados nos pacientes com coronavírus

Foi feito exame em todos os pacientes investigando nove patógenos respiratórios e o ácido nucleico dos vírus influenza A e B. As culturas de bactérias e fungos foram realizadas ao mesmo tempo. 

Não foi identificado outros vírus respiratórios em nenhum dos pacientes. Acinetobacter baumannii, Klebsiella pneumoniae e Aspergillus flavus foram cultivadas em um paciente. Um baumannii mostrou-se altamente resistente a antibióticos. 

Um caso de infecção fúngica foi diagnosticado como Candida glabrata e três casos de infecção fúngica foram diagnosticados como Candida albicans.

Os casos incluídos no estudo foram confirmados por exame laboratorial de RT-PCR em tempo real e analisados ​​quanto a epidemiologia, demografia, clínica, características radiológicas e dados de laboratório.

Pacientes hospitalizados, de alta e que foram a óbito

O grupo de médicos relatou ainda que 57 dos pacientes continuavam internados quando fecharam a análise para divulgação, 31 receberam alta e 11 deles morreram.

Porém, taxa mortalidade não é nestes níveis, a OMS relata que até o momento o índice é de 2%.

Neste universo estudado a maioria era de homens, 67 deles com idade média de 56 anos. Porém observações da OMS apontam que no geral é praticamente o mesmo número de casos entre homens e mulheres, com pequena quantidade a mais entre homens.

Os médicos também levantaram informação de que 49 dos pacientes tiveram algum tipo de contato com um mercado de frutos do mar, 47 trabalhavam no local e dois deles eram clientes.

Outra informação importante é que a maioria destes pacientes tinha algum tipo de problema preexistente que pode ter deixado o organismo em condições vulneráveis ao vírus.

Sendo que, 40 deles apresentavam algum problema cardíaco, insuficiência cardíaca, AVC – acidente vascular cerebral, sofrido anteriormente, e diabetes.

Os pacientes foram tratados isoladamente. Sendo que 76% dos pacientes receberam tratamento antiviral, incluindo oseltamivir (75 mg a cada 12 h, por via oral), ganciclovir (0,25 g a cada 12 h, por via intravenosa) e comprimidos de lopinavir e ritonavir (500 mg duas vezes ao dia, por via oral). A duração do tratamento antiviral foi de 3 a 14 dias (mediana de 3 dias [IQR 3–6]).

A maioria dos pacientes recebeu tratamento antibiótico, 25% dos pacientes foram tratados com um único antibiótico e 45% deles receberam terapia combinada.

Os médicos informam que o estudo, apresenta várias limitações, como o pequeno número de pacientes avaliados, apenas 99 pacientes confirmado 2019-nCoV foram incluídos; casos suspeitos, mas não diagnosticados, foram descartados nas análises.

Concluíram que a infecção pelo 2019-nCoV teve início aglomerado, é mais provável infectar homens mais velhos com comorbidades e pode resultar em doenças respiratórias graves e até fatais, como a SDRA.

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