O VDRL é um exame laboratorial de apoio diagnóstico para sífilis, doença venérea causada pelo Treponema pallidum, uma DST. O contato sexual é a forma mais comum de transmissão. O resultado do VDRL pode ser positivo ou negativo, e em alguns laboratórios a terminologia usada é reagente (positivo) e não reagente (negativo). Neste texto vou destacar também situações em que o exame pode apresentar falso positivo.

Diagnosticar a sífilis no início é importante para evitar problemas graves a nível cerebral, cardiovascular e em sífilis congênita. Desde o início da infecção aparece no sangue da pessoa infectada as “reaginas”, a detecção destas substâncias no soro do paciente e a verificação dos sinais clínicos são os procedimentos mais rápidos e úteis usados para diagnóstico da sífilis.

Característica de cada exame nas fases da doença

VDRL (Venereal Diseases Research Laboratory) e FTA-ABS (Fluorescent Treponemal Antibody – Absorption), dois exames sorológicos para diagnóstico da sífilis. Quando está na fase primária os dois exames se tornam positivos depois do cancro duro com sensibilidade de 85%, já no estágio secundário da sífilis a sensibilidade da sorologia é de 99%, e na sífilis terciária o VDRL apresenta sensibilidade de 70% e o FTA-ABS de 98%. Um estudo de avaliação dos exames VDRL em uma unidade de saúde, complementa esta análise.

O VDRL, muito solicitado em consultas médicas na rede pública e privada de saúde é um teste não treponêmico, utiliza o antígeno cardiolipínico na reação para detectar as reaginas, citadas anteriormente, possui a vantagem de ser um exame barato e de fácil realização. Usando apenas uma placa de reação, e um agitador simples, em 4 minutos a reação pode ser lida no microscópio.

Como é feito o exame

Quando o VDRL está positivo é possível ver na placa, depois de adicionar soro do paciente e o reagente, uma floculação, devendo ser realizado uma titulação, para ver o valor da positividade, alta ou baixa, positivo forte ou fraco, podendo ser 1:2, 1:4, 1:8, 1:16, 1:32, e assim por diante, sendo que 1:4 é mais fraco que 1:32, por exemplo, este valor vai servir para o médico diagnosticar ou acompanhar a evolução do tratamento.

Como foi citado no título deste texto resultados falso positivos e também negativos podem ocorrer. Falso negativo pode ocorrer na sífilis tardia e em casos de prozona, um fenômeno que ocorre quando a quantidade de reaginas é grande e a reação não ocorre de maneira equilibrada levando a testes negativos em amostras que são positivas. Mas, os laboratórios se previnem deste evento diluindo o soro do paciente, equilibrando a reação, produzindo resultados corretos.

Como ocorre resultado falso positivo

O problema que pode ocorrer em alguns casos, mesmo que raros, é o resultado ser liberado como positivo em amostra de paciente que não tem a doença, são resultados falso positivos. Casos como este podem ocorrer em exames de indivíduos que tenham quadros patológicos como: Brucelose, lepra, malária, hepatite, asma, gripe, tuberculose, câncer, diabetes e doenças autoimunes que também liberam antígenos que levam a produção das reaginas. Quero deixar claro que não é comum, mas podem ocorrer, geralmente apresentam títulos baixos, 1:2, 1:4, e as características clínicas não são indicativas de sífilis.

Minha intenção aqui é alertar para que pacientes e familiares tenham cautela e não tomem atitudes precipitadas quando forem ao laboratório e pegar um resultado de VDRL positivo, exames positivos certamente serão esclarecidos e confirmados pelo médico realizando observações clínicas ou testes confirmatórios, como o FTA-ABS.

“Embora o comportamento do VDRL frente ao diagnóstico da sífilis apresente algumas limitações, como reações falso positivas em situações patológicas ou fisiológicas, menor sensibilidade quando comparado aos testes treponêmicos, deve-se ressaltar a importância do referido teste como diagnóstico preventivo e principalmente como seguimento terapêutico, através de dosagens quantitativas. Desta maneira, aliada à avaliação clínica do paciente, o teste VDRL se constitui um instrumento de significativa importância na triagem sorológica, como também no acompanhamento da infecção sifilítica (onde o resultado continua positivo mesmo depois de tomar injeções de benzetacil, explicado aqui)”. Conforme abordou no trabalho citado acima, Liduina et al.