Obs.: Este é um artigo técnico sobre contagem e interpretação de resultado de alteração nas plaquetas circulantes no sangue, isso pode lhe trazer novos conhecimentos, mas se não lhe agradar leia o próximo post.

Referências de busca: O que são plaquetas, trombócitos, coagulação, como realizar a contagem das plaquetas, valores normais, interpretação, aumento, diminuição, alterações.

Plaqueta ou trombócitos são células sanguíneas formadas na medula óssea, a partir de megacariócitos que se fragmentam e estes fragmentos são chamados de plaquetas, por isso são anucleadas, isto é, desprovidas de núcleo. Possuem tamanho de 1,5 – 3,0 micrometros e circulam no sangue como disco achatado, contribui na formação dos coágulos sanguíneos, integrando o processo de coagulação sanguínea.

Os valores de referência das plaquetas em adultos e crianças são de 150.000 a 400.000 por mm3 de sangue.
O aumento das plaquetas pode ocorrer por: doenças mieloproliferativas – LMC, mielofibrose, policitemia vera, doenças inflamatórias – febre reumática, artrite reumatóide, colite ulcerativa, doenças malígnas – carcinomas, doença de Hodgkin e outros linfomas.

Já as plaquetopenias ou diminuição do número de plaquetas podem ser hereditárias como síndrome de Wiskott-Aldrich, de Bernard Soulier e de Fanconi ou adquiridas (púrpura trombocitopênica idiopática secundária a doenças auto-imunes, anemias aplásica e magaloblástica, coagulopatias de consumo, malária, dengue (viroses), leucoses e outras).

Contagem de plaquetas:
Sinonímia: Contagem de trombócitos.
Material: Sangue com anticoagulante EDTA.
Preparo do Paciente: Jejum de 4 horas.

Outros exames que estão relacionados a este: Hemograma, Coagulograma, Prova do Laço, Retração do Coágulo, TS, Testes de Agregação Plaquetária.
Método: Método de Fonio; Contagem em câmara de Neubauer.
1) Método de Fonio
Fazer esfregaços finos, secar e corar pelos métodos habituais. Examinar ao microscópio com objetiva de imersão;
Contar 1000 eritrócitos em diferentes campos, anotando o número de plaquetas encontradas.
Cálculo:
Nº de plaquetas X Nº de eritrócitos por mm3 /1.000= número de plaquetas por mm3 de sangue
2) Método Direto

É realizado utilizando-se a câmara de Neubauer.

a) Líquido diliudor:

Citrato de sódio…………………………………………. 3,8 g
Formol a 40% (formalina)…………………………… 0,2ml
Azul de Cresil Brilhante……………………………… 0,1g
Água destilada…………………………………………… 100ml

Diluição
Pipetar 20 microlitros de sangue e diluir essa quantidade em 4,0 ml de líquido diluidor, dessa forma obtém-se a diluição 1:200. Homogeneizar cuidadosamente;
Carregar a câmara de contagem, colocá-la em câmara úmida para evitar a evaporação (sobre um papel de filtro molhado, cobrir a placa de Petri). Esperar 10 minutos para que as plaquetas se depositem.

Contagem:
Contar as plaquetas em 80 quadrantes (5 quadrados da divisão de eritrócitos) e multiplicar o resultado por 10.000.

Números normais de plaquetas por mm3 de sangue
Adultos e crianças: 150.000 a 400.000

Atualmente grande parte dos laboratórios realizam este exame em aparelhos específicos automatizados (cell dyn, micro 60 entre outros) para contagem destas e de outras células e na realização do hemograma.

Alterações na morfologia das plaquetas:
Plaquetas Gigantes ou Macroplaquetas: Expressam turnover acelerado de plaquetas. São observadas quando há destruição periférica exagerada, como na púrpura trombocitopênica idiopática, tromboses extensas e Síndrome de Bernard Soulier.
Micromegacariócitos: São encontrados nas síndromes mieloproliferativas e mielodisplásicas.

Anisocitose Plaquetária: Plaquetas de tamanho variado (pequenas, normais e grandes) sem predomínio de nenhuma das formas. Vista em situações onde existe aceleração do processo de produção de plaquetas como nas síndromes mieloproliferativas, mielodisplásicas e disfunções plaquetárias.

Plaquetas Dismórficas: Plaquetas de morfologia bizarra como ocorre na síndrome de Bernard Soulier e púrpura trombocitopênica idiopática crônica.