Recentemente tenho recebido algumas perguntas via formulário de contato ou mesmo nos comentários sobre exames laboratoriais, entre elas plaquetas, teste de gravidez, espermograma, e também hemograma, é sobre este que vamos comentar no texto. Referem-se a questões como: Meu exame de sangue hemograma deu alterado, o que pode ser? Fiz um exame de sangue para ver anemia e deu alterada a hemoglobina e leucócitos aumentados.

Após a consulta com o médico ele solicita o hemograma completo para auxílio diagnóstico de várias doenças hematológicas e sistêmicas. Podendo assim verificar anemias, alterações neoplásicas, infecções entre outras.
O paciente vai até o laboratório (fazer um jejum de 4 horas) e colher o sangue, com um tipo de anticoagulante o EDTA, para posterior análise, geralmente em equipamentos automatizados, próprios para este tipo de exame e com alto grau de precisão.

 

Alterações da série vermelha, ou seja, nas hemácias, hemoglobinas, e hematócrito com valores abaixo do normal indicam anemia e acima policitemias, complementados pelos valores de VCM, HCM, CHCM, e observações do sangue vistas ao microscópio, tamanho, forma e cor das hemácias, ajudam a definir qual o tipo de anemia. Outro dado importante fornecido pelo hemograma, é a quantidade de plaquetas, que já comentamos sobre elas.

Encontramos também nos parâmetros avaliados no hemograma a série branca que são os leucócitos, onde valores aumentados indicam, por exemplo, infecção bacteriana. Já valores diminuídos (baixos) dos leucócitos geralmente apontam para uma infecção viral, malária além de outras patologias.
Na avaliação dos leucócitos, temos ainda a quantidade de neutrófilos, eosinófilos, basófilos, monócitos, linfócitos que são contados e relatados no resultado, colaboram para esclarecer e diagnosticar doenças infecciosas e hematológicas.

Os valores de referência para cada parâmetro fornecido no resultado do exame hemograma variam de acordo com a faixa etária e sexo.

O exame de sangue hemograma fornece vários elementos que juntamente com o exame físico, sintomas, esclarecem qual a doença presente, associando-se a ele outros exames laboratoriais e de imagem, propiciam ao médico uma decisão para correta orientação terapêutica.

hemograma tubos de coletaNa prática não podemos avaliar apenas um dado fornecido pelo hemograma separadamente, é importante que o resultado seja levado ao médico para que ele possa avaliar todos os valores encontrados e com as observações clínicas, histórico familiar, alimentação, uso de medicamentos e drogas chegue a uma conclusão diagnóstica.

 

Quando você recebe seu exame de sangue hemograma, poderá encontrar nas descrições das hemácias as variações que são úteis para o esclarecimento da anemia.

Alterações morfológicas e tintoriais dos eritrócitos em resultados do exame hemograma (série vermelha ou eritrocítica)

No sangue de uma pessoa saudável, os eritrócitos, quando não agrupados, aparecem como discos homogêneos, circulantes, de tamanho uniforme. Mas podemos ver, mesmo no sangue normal, as células individualmente podem apresentar-se pequenas ou grandes.
Variações no tamanho das hemácias no exame hemograma
No exame de sangue hemograma quando é observado no microscópio uma lâmina de esfregaço com coloração podemos encontrar tamanhos diferentes de hemácias indicando algum tipo de alteração:

  •  Anisocitose: Desigualdade de tamanho dos eritrócitos. A anisocitose ocorre pela presença de micrócitos ou macrócitos. ocorre na maioria das anemias; quando em grau acentuado, tanto micrócitos quanto macrócitos podem estar presentes.
  • Macrocitose: VCM alto. São células maiores que aquelas normalmente encontradas. Podem ser maduros ou jovens, sendo estes últimos policromáticos, com colorações vitais ou pontilhado basófilo. O predominio desses elementos constitui a macrocitose. A presença de macrócitos hipocrômicos indica a discordância entre a formação celular e o material utilizado para a elaboração da hemoglobina. Os macrócitos podem ter contorno oval ou arredondado, sendo o significado diferente nas duas situações. A macrocitose ocorre associada a reticulocitose, em fumantes, na deficiência de B12, e folatos e em casos de demanda de nutrientes como na gravidez. Os eritrócitos do recém-nascido apresentam acentuada macrocitose quando comparados com os do adulto. Os eritrócitos fetais também são maiores que os do adulto. Discreta macrocitose é uma característica fisiológica da gravidez e também é encontrada em adultos idosos.
  • Megalócitos: São eritrócitos maiores que os normais, ovalócitos geralmente, hipercrômicos. A hipercromia distingue os megalócitos dos macrócitos que são normo ou hipocrômicos.
  • Microcitose: VCM abaixo de 82 μ3. São células menores que as normais. São em geral hipocrômicos. É necessário distinguir os micrócitos hipocrômicos dos micrócitos da anemia hemolítica constitucional (microesferocitose hereditária), os quais são normo ou hipercrômicos. Pode ocorrer nas anemias por deficiência de ferro, anemias das doenças crônicas, talassemias e anemias sideroblásticas. Os eritrócitos das crianças sadias são menores que os dos adultos; o tamanho eritrocitário deve, portanto, ser interpretado de acordo com a idade do indivíduo.

As hemácias também podem se apresenta diferentes na coloração devido a hemoglobina, pigmento presente dentro destes eritrócitos.

Variações na cor das hemácias no exame hemograma

  • Anisocromia: Descreve uma variabilidade excessiva na coloração ou hemoglobinização dos eritrócitos. Na prática significa um espectro de coloração que se estende desde hipocromia até normocromia. A anisocromasia indica situação de mudança , como uma progressão da anemia ferropênica, ou uma resposta ao tratamento, podendo ser encontrada ainda nas terapias pós transfusionais e nas anemias sideroblásticas.
  • Hipocromia: Quando a quantidade de hemoglobina está diminuída a área central mais clara do eritrócito se torna maior. O HCM (veja no seu resultado) está abaixo de 27 pg e o CHCM está abaixo de 30%. Qualquer uma das condições que leva à microcitose pode levar a hipocromia, embora em alguns invíduos com traço de alfa ou beta talassemia o esfregaço visto ao microscópio apresenta microcitose sem hipocromia apreciável. Os eritrócitos das crianças sadias são frequentemente hipocrômicos quando comparados aos dos adultos.
  • Hipercromia: Quantidade de hemoglobina está aumentada. Em certas anemias por defeito na membrana do eritrócito, como na esferocitose hereditária ou nas anemias hemolíticas onde se fixam na membrana o complexo antígeno-anticorpo, as células possuem diâmetro menor, porém o conteúdo de hemoglobina é maior e estas apresentam coloração mais acentuada. A CHCM pode estar aumentada, indicando que a hipercromia relaciona-se não apenas a alteração na forma da célula, mas também a um verdadeiro aumento na concentração de hemoglobina. Alguns macrócitos são mais escuros que os normais, e, por isso, hipercrômicos, sem que exista um aumento na concentração de hemoglobina; a palidez central pode estar completamente ausente.
  • Policromatofilia: A hemácia apresenta uma cor acinzentada (policromatofilia ou policromasia). É uma combinação da afinidade da hemoglobina por coranates ácidos e da afinidade do RNA por corantes básicos. A presença de RNA residual nas células vermelhas indica que é uma célula jóvem e está no sangue há um ou dois dias. Estas células são maiores que as células vermelhas maduras e podem não ter área central mais clara. A presença de policromatofilia é um dado importante na microscopia do sangue anêmico e deve ser comprovada pela coloração de reticulócitos. Quando os eritrócitos policromáticos são grandes deve-se anotar macrócitos policromáticos. A policromatofilia está presente após o quarto dia de regeneração pós hemorrágica e sempre nas anemis hemolíticas. Quando a medula óssea está com o estroma alterado por proliferação anormal (esclerose, tumores, leucemia, granulomas) pode haver policromatofilia acentuada, sem que isso signifique regeneração eficaz. A ausência de policromatofilia em pacientes com anemia falciforme , ou outra anemia hemolítica, geralmente indica anemia hemolítica induzida pelo parvovírus.

Variações na forma das hemácias no exame hemograma
As hemácias podem apresentar diferentes formas que indicam algum tipo de alteração

anemia falciforme no hemograma

  • Poiquilocitose: Alteração na forma das hemácias. Alguns poiquilócitos caracterizam determinadas anemias.
  • Eliptócitos: Hemácias elípticas na sua forma. São mais abundantes na eliptocitose hereditária onde a maioria das células são elípticas; isto é uma condição dominante que raramente é associada a anemia hemolítica. Raros podem ser vistos no sangue normal. Aparecem na deficiência de ferro, em alguns pacientes com talassemia, na anemia megaloblástica, na mielofibrose e, ocasionalmente, em anormalidades enzimáticas herdadas.
  • Ovalócitos: São hemácias que se apresentam em forma de ovo. Decorrem de defeitos genéticos da membrana. Um pequeno número de ovalócitos podem ser notados na anemia megaloblástica e nas síndromes mielodisplásicas. Os macro ovalócitos são característicos da anemia megaloblástica.
  • Esferócitos: hemácias menores com cor forte. Os esferócitos tem menor superfície em relação ao volume que os eritrócitos normais. São mais corados, não por ter maior conteúdo de hemoglobina, mas por ter tamanho reduzido perder a biconcatividade. Ele tem elasticidade insuficiente para passar pela circulação esplênica, onde ficam retidos precocemente, perdem porções de membrana e hemolizam. Aparecem em consequência de anormalidades herdadas ou adquiridas do citoesqueleto da membrana. Aparecem na esferocitose hereditária, onde há uma anormalidade do citoesqueleto, com desestabilidade e perda secundária de membrana. A esferocitose adquirida pode resultar de dano direto à membrana dos eritrócitos causado, por exemplo, pelo calor, pela toxina clostrídica ou por veneno ofídico. A perda de membrana pode resultar da cobertura da célula por aloanticorpos, auto anticorpos ou anticorpos induzidos por drogas; os macrófagos do sistema retículo endotelial reconhecem a imunoglobulina, ou o complemento, na superfície celular e removem pedaços de membrana. Quando os eritrócitos se fragmentam, os fragementos com relativa falta de membrana formam microesferócitos; este é o mecanismo da formação de esferócitos na anemia microangiopática, na anemia hemolítica mecânica e na piropoiquilocitose hereditária. Nas anemias hemolíticas com corpos de Heinz, embora a maioria das células sejam irregularmente contraídas, também estão presentes alguns esferócitos.
  • Estomatócitos: São células que apresentam uma fenda ou estroma, linear, central. Aparecem na estomatocitose hereditária, uma forma rara de anemia. A estomatocitose resulta de uma variedade de anormalidades da membrana eritrocitária, mas é provável que o mecanismo essencial seja a expansão do folheto interno da dupla camada lipídica que constitui a membrana do eritrócito. Sua formação na doença hepática tem sido atribuída ao aumento de lisolecitina na camada interna da membrana eritrocitária. Os estomatócitos associam-se a uma grande variedade de condições clínicas, a causa mais comum é o excesso alcoólico, nesses casos é comum a macrocitose.
  • Drepanócitos ou Células Falciformes: Têm forma de foice ou meia lua e caracterizam as síndromes falcêmicas, decorrentes da presença de hemoglobina S. A hemoglobina S difere da A pela presença da valina no lugar do ácido glutâmico na posição 6 da cadeia beta da hemoglobina; essa troca altera a solubilidade da hemoglobina, que se cristaliza em longos tactóides quando submetidas a baixas tensões de oxigênio, o que ocasiona a deformação falciforme dos eritrócitos. Quando há mais de 50% de hemoglobina S nos eritrócitos, a deformação ocorre com tensões baixas de oxigênio “in vivo”; quando há menos de 50% só ocorre cristalização conservando-se o sangue em tensões baixas de oxigênio que são obtidas somente “in vitro”. O teste de afoiçamento é feito conservando-se o sangue por algum tempo em câmara hermética: o consumo de oxigênio provoca a deformação falciforme. Quando positivo, deve ser feita a eletroforese de hemoglobina para classificar a variante.
  • Células em Alvo ( target cells): São eritrócitos mais finos que o normal e quando corados apresentam uma área de coloração aumentada no meio da área da palidez central. Veja mais sobre ela neste outro texto.
  • Dácriócitos também conhecido como lacrimócito ou pera: Deformam-se principalmente no baço, quando sofrem estiramento além dos limites de elasticidade ao passarem pelas aberturas entre cordões e sinus medulares. É provável que isto ocorra durante a remoção de inclusões anormais. Estão presentes qundo existe fibrose da medula óssea ou deseritropoiese severa, e também em algumas anemias hemolíticas severas. São particularmente característicos na anemia megaloblástica, na talassemia maior e na mielofibrose. As células em lágrima presentes em casos ocasionais de anemia hemolítica auto-imune e nas anemias hemolíticas com corpos de Heinz resultam, provavelmente, da ação de macrófagos esplênicos sobre eritrócitos anormais.
  • Equinócitos ou “espiculócitos”: São eritrócitos que perderam a forma discóide e apresentam-se cobertos de 10-30 pequenas espículas rombudas, de forma relativamente regular  A equinocitose que não decorre devido a demora na realização do exame é rara, salvo em recém-nascidos. Ela pode ocorrer nas hepatopatias, mas a acantocitose é mais comum, pode ocorrer nas fases iniciais da síndrome hemolítico-urêmica; pacientes criticamente enfermos, com falência de múltiplos órgãos, incluindo insuficiência hepática e renal. A equinocitose observada em pacientes com queimaduras graves pode ser resultado de alerações lipídicas.
  • Acantócitos: Acantócitos são hemácias de característica esférica, com duas a vinte espículas de diferentes comprimentos, ditribuídas irregularmente sobre a superfície. A formação de acantócitos resulta , provavelmente da expansão do folheto externo da dupla camada lipídica que constitui a dupla camada lipídica do eritrócito. Diferentemente da equinocitose, a acantocitose não é revertida resuspendendo-se os eritrócitos com plasma fresco. Na acantocitose associada a abetalipoproteinemia ou a hepatopatia, a relação colesterol/fosfolipídeos dos eritrócitos está aumentada.
  • Esquisócitos: Os esquisócitos são fragmentos de eritrócitos formados pela fragmentação de células anormais, como por exemplo, na piropoiquilocitose hereditária ou após lesão mecânica, tóxica ou induzida pelo calor em células previamente normais. As causas mais comuns de esquisócitos são as anemias hemolíticas microangiopáticas e mecânicas.

Inclusões que aparecem no citoplasma das hemácias

Pequenos elementos, ditas inclusões que aparecem eventualmente no citoplasma das hemácias podem ser importantes para diagnóstico de anemias.

  • Pontilhado Basófilo: São pequenas inclusões basófilas, contendo RNA,, dispersas no citoplasma das hemácias. Os eritrócitos que os contém podem corar-se normalmente ou apresentar policromatofilia. O pontilhado fino é comumente observado quando há policromatofilia aumentada, e, além disto, na produção aumentada de células vermelhas. Estão presentes em grande número nas seguintes situações:  beta talassemia minor, talassemia maior, anemias megaloblásticas, hemoglobinas instáveis, anemias hemolíticas, estados deseritropoiéticos em geral (incluindo anemia sideroblástica, eritroleucemia e mielofibrose), hepatopatias e intoxicação por metais pesados como chumbo, arsênico e mercúrio.
  • Corpúsculos de Howell-Jolly: São inclusões eritrocitárias, arredondadas, compostas de DNA que apresentam características tintoriais iguais ao núcleo. Pode resultar de cariorrexe (fragmentação do núcleo) ou de expulsão nuclear incompleta, ou apresentar cromossomos que se separam do fuso mitótico durante a mitose anormal. Constituem achado normal em recém-nascidos (onde o baço é funcionalmente uimaturo). A formação de corpúsculos de Howell-Jolly está aumentada em anemias megaloblásticas e anemias hemolíticas. Aparecem em grande quantidade em pacientes esplenectomizados.
  • Corpos de Heiz: São encontrados em quando temos hemoglobinas instáveis (talassemia alfa), deficiência enzimática dos eritrócitos e na agressão por drogas oxidantes.
  • Corpos de Pappenheimer: São grânulos de ferro pouco visíveis na coloração policrômica usual, mas facilmente observados na coloração específica para ferro (coloração de Perls ou azul da prússia). Vistos em pequeno número em pacientes hematologicamente normais esplenectomizados; nestes, são agregados de ferritina. Em condições patológicas , como na intoxicação pelo chumbo ou a anemia sideroblástica.
  • Anéis de Cabot: São estruturas em forma de anéis, em forma de oito ou alça. Raros em pacientes com anemia perniciosa, envenenemento pelo chumbo e em alguns outros distúrbios da eritropioese. São interpretados como evidência de eritropoiese anormal.
  • Parasitas da Malária: Podem aparecer grânulos finos em eritrócitos que abrigam Plasmodium vivax ou Plasmodium falciparum.

Ainda podemos encontrar algumas raras alterações como:

  • Formação de Rouleaux: É a formação de pilhas de eritrócitos, as quais lembram moedas empilhadas. Aparecem quando há aumento da concentração plasmática de proteínas de alto peso molecular. As causas mais comuns são: Gravidez (na qual aumenta o fibrinogênio), e em condições inflamatórias e discrasias de células plasmáticas, como o mieloma múltiplo. Pode ocorrer também em pacientes que receberam medicamentos intravenosos, os quais usam como veículos óleos de castor polietoxilados (ex.: miconazol, fitomenadiona e ciclosporina).

hemogramaTemos também alterações na série vermelha com aparecimento de células nucleadas.
As células vermelhas nucleadas são precursoras das células vermelhas não nucleadas maduras do sangue. Nos humanos, os normoblastos ou eritroblastos, estão presentes apenas na medula óssea. Os estágios de sua produção do início ao fim são: Pró-eritroblasto, eritroblasto basófilo, eritroblasto policromático, eritroblasto ortocromático. Estas células vermelhas eritróides são muitas vezes confundidas com linfócitos, um erro que pode ser prevenido usualmente com a observação cuidadosa dos núcleos.

Megaloblasto: É uma célula eritróide nucleada, distinta, não apenas um eritroblasto maior. É caracterizada pelo tamanho maior e pelo padrão de cromatina nuclear “aberto”. As células desta série não são encontradas na medula óssea normal, mas estão presentes caracteristicamente na medula e algumas vezes no sangue de pacientes com anemia perniciosa ou outras anemias megaloblásticas.

No adulto normal, os eritroblastos estão confinados apenas na medula óssea e aparecem na circulação sangüínea em casos de doenças onde a presença denota uma extrema demanda feita à medula. Grandes números de células vermelhas nucleadas são encontradas especialmente em doenças hemolíticas do recém nascido (eritroblastose fetal) e na talassemia maior. Na última, os eritroblastos circulantes podem ser extremamente numerosos. Quando é realizada a contagem de 100 leucócitos e encontra eritroblastos, o laudo do exame é liberado como, por exemplo, foram observados 05 eritroblastos, sendo 01 policromático e 04 ortocromáticos em 100 leucócitos contados.

Alterações quantitativas dos leucócitos em resultados do exame hemograma (série branca ou leucocítica)

  • Leucocitose: Consiste no aumento do número de leucócitos devido à quimiotaxia e ao estímulo regenerativo dos órgãos hematopoéticos. Ocorre à custa de uma ou mais das variedades de leucócitos, com predominância de elementos maduros. É transitório e pode ser fisiológica ou patológica.
  • Leucocitose Fisiológica: No recém-nascido: O número de leucócitos atinge 15.000 a 25.000 por milímetro cúbico de sangue, diminuindo progressivamente , até os primeiros meses de vida. Torna-se estacionário em um ano, reduzindo-se gradativamente na puberdade às cifras normais do adulto. Na gravidez: Especialmente nas primíparas, aparece no terceiro mês de gestação, aumentando progressivamente até o término. Durante o parto: Em geral, leucocitose com cerca de 18.000, que desaparece depois dos primeiros dias de puerpério. Durante a digestão: Aparece cerca de uma hora após a refeição rica em protéicos, especialmente depois de um prolongado jejum.

Variações dependentes da hora em que se faz a contagem: O número de leucócitos se encontra, geralmente mais baixo de manhã do que à tarde.
Variações dependentes das diferentes atitudes do corpo: A quantidade de leucócitos são mais elevadas com o indivíduo deitado do que quando em pé ou sentado. Após exercícios musculares: Violentos, massagens, convulsões, crises de pranto, banhos frios.

  • Leucocitose Patológica: Caracteriza-se geralmente, por alteração da fórmula leucocitária. Ocorre aumento global pelo predomínio de um tipo de célula. Na maioria dos casos as leucocitoses intensas são constituídas por neutrófilos; os outros tipos de células (eosinófilos, linfócitos) em geral resultam de pequeno aumento.

Os fatores que produzem a leucocitose são numerosos e atuam estimulando a atividade dos órgãos hematopoéticos. As substâncias que produzem tal proliferação nem sempre são conhecidas. Podem ser toxinas bacterianas, produtos de desintegração protéica, talves relacionados com ácido nucléico, substâncias químicas, como a terebentina, metástases medulares neoplásicas. A resposta quantitativa varia com a natureza e a intensidade do estímulo e, provavelmente, com a capacidade reacional de cada indivíduo.

  • Leucocitose das Infecções: A maioria dos processos infecciosos produz leucocitose, a qual é tanto mais intensa quanto mais agudo o processo. O grau de leucocitose varia com a localização, a natureza do processo, virulência da infecção, resistência individual e ausência de complicações. O aumento geral ocorre à custa dos neutrófilos, podendo ser também à custa de outros leucócitos – dos linfócitos, por exemplo, na coqueluche.

Causas de leucocitose: Todas as formas de pneumonia, principalmente a fibrinosa, meningite tuberculosa, escarlatina, difteria, cólera, febre amarela, enfermidade reumática, polineurite aguda, erisipela, coqueluche, varicela, varíola, apendicite aguda, peritonite, colecistite, endocardite, amigdalite, otite, osteomielite, septicemias. Na malária, ocorre leucocitose nos calafrios, seguida de leucopenia.

  • Leucocitose nas Condições não Infecciosas

Leucocitose nos neoplasmas (carcinoma e sarcoma). Leucocitose pós hemorrágica. Leucocitose pós-traumática: Ocorre após a lesão dos tecidos, ocasionada por operações cirúrgicas, fraturas, etc. Leucocitose por medicamentos e intoxicações: Entre as substâncias que causam leucocitose, destacam-se as seguintes: extratos de órgãos ricos em àcidos nucleicos, adrenalina, colargol, terebentina, cânfora, antipirina, fenacetina, digital, pirogalol. As intoxicações pelo monóxido de carbono e pelo chumbo. Doses fracas de raios X produzem leucocitose temporária.
Observa-se leucocitose discreta, na ausência de infecções, nas seguintes afecções: raquitismo, gota, cirrose hepática, atrofia amarela aguda do fígado, obstrução intestinal, uremia, coma diabético, enfarte do miocárdio, taquicardia.
Leucocitose das moléstias cardíacas. Leucocitose das desidratações: Vômitos, diarréias e transpirações profusas podem ser acompanhados de leucocitose, por concentração do volume sangüíneo.

  • Leucopenia:  Consiste na diminuição do número de leucócitos; a redução se faz geralmente à custa dos neutrófilos, trazendo em consequência, linfocitose relativa. A leucopenia ocorre: Por produção menor de leucócitos: A causa pode decorrer de depressão dos tecidos leucopoéticos, por intoxicação ou infecção, ou por interferência mecânica de outros tecidos de de neoformação metaplásica. Por destruição maior de leucócitos. Por alteração na distribuição dos leucócitos na corrente sangüínea.

Condições Geralmente Acompanhadas de Leucopenia

  • Infecções: Febres tifóide e paratifóide, brucelose, dengue, rubéola, cachumba, gripe, malária (fora dos acessos febris), calazar, tripanossomose, sarampo, varíola, poliomielite, tuberculose, toxemias graves, AIDS.
  • Intoxicações: Benzeno, arsênio, antimônio, chumbo, piramido, dinitrofenol. Exposição aos raios X.
  • Doenças do sistema hematopoético: Anemia aplásica, anemia perniciosa, esplenomegalia congestiva, síndrome de Felty, doença de Hodgin estados aleucêmicos das leucoses.
  • Outros: Estados graves de desnutrição (câncer do esôfago, inanição, catexia), choque traumático agudo, crise hemoclássica (por alergia alimentar).

Neutrofilia: Um aumento da contagem absoluta de neutrófilos acima da que seria esperada em um indivíduo sadio de mesmo sexo, idade, raça e estado fisiológico. Durante a gravidez há considerável aumento na contagem de neutrófilos, a qual se acentua ainda mais durante o trabalho de parto e período pós parto. A neutrofilia deve-se, usualmente à redistribuição dos leucócitos ou aumento da liberação pela medula óssea.
O exercício pode alterar a distribuição dos leucócitos na circulação, causando mobilização para a corrente sangüínea de células previamente marginalizadas contra o endotélio. O exercício vigoroso pode duplicar a contagem de neutrófilos. O número absoluto de linfócitos, monócitos eosinófilos e basófilos também aumenta, mas como o aumento do número de neutrófilos é mais acentuado, o aumento dos outros tipos celulares pode passar desapercebido.
A administração de adrenalina as convulsões epileptiformes podem mobilizar neutrófilos de maneira análoga, e até mesmo a dor intensa pode ter efeito sobre a contagem de neutrófilos. Os corticosteróides também alteram a cinética dos neutrófilos, a liberação pela medula óssea está aumentada e ocorre diminuição concominante do egresso para os tecidos.
Em condições patológicas a neutrofilia costuma resultar do aumento da liberação medular, o qual mais que compensa o egresso aumentado para os tecidos.

São Causas de Neutrofilia

Hereditárias: Neutrofilia hereditária; Deficiência genética de receptores de complemento CR3; Deficiência de expressão das moléculas de adesão na superfície dos leucócitos.

Adquiridas: Infecções bacterianas agudas e crônicas. Infecções virais: Varicela, herpes simples, raiva, poliomielite, hantavírus, encefalite.
Infecções fúngicas: Actinomicose, coccidioidomicose e blastomicose norte americana. Parasitoses: Fasciolíase hepática, amebíase hepática e filaríase. Dano tecidual: Trauma, cirurgia (particularmente esplenectomia), queimaduras, necrose hepática aguda e pancreatite aguda.
Infarto tecidual: Infarto do miocárdio, embolia pulmonar causando infarto pulmonar, crise falciforme, doença ateroembólica.
Inflamação aguda e inflamação crônica grave: Gota, febre reumática, artrite reumatóide, colite ulcerativa. Hemorragia aguda. Hipóxia aguda.
Estresse pelo calor. Desordens endócrinas e metabólicas: Cetoacidose diabética, insuficiência renal aguda, Síndrome de Cushing, crise tireotóxica. Doenças malignas: Particularmente quando há doença extensa ou necrose tumoral como carcinoma, sarcoma, melanoma, doença de hodgkin. Leucemias e síndromes mieloproliferativas: Leucemia mielóide crônica (LMC), Policitemia Vera, trombocitemia essencial, mielofibrose idiopática.
Outras condições que causam neutrofilia: Rebote pós neutropenia: Por exemplo, após neutropenia induzida por diálise, na recuperação da agranulocitose e da quimioterapia citotóxica e no tratamento da anemia megaloblástica. Administração de citocinas: G-CSF, GM-CSF, IL-1, IL-3, IL-6. Administração de drogas: Adrenalina, corticóides, lítio e clozapina. Intoxicação: Por vários tipos de drogas e agentes químicos. Envenenamento: Picada do escorpião ou o ataque da “abelha assassina”. Reações de hipersensibilidade: Incluindo as causadas por drogas. Tabagismo. Exercício vigoroso. Dor aguda: Convulsões epiléticas, choque elétrico, taquicardia paroxística. Eclâmpisia e pré-eclâmpsia.

Neutropenia: É a redução da contagem absoluta de neutrófilos abaixo da que seria esperada em um indivíduo de mesmo sexo, idade, estado fisiológico e origem étnica. No que diz respeito aos negros, é particularmente importante usar uma faixa de referência apropriada, a fim de evitar um diagnóstico errôneo de neutropenia, uma vez que os africanos e, em menor grau, os negros americanos e afro-caribenhos têm contagens de neutrófilos mais baixas que os brancos. A neutropenia pode ser isolada ou fazer parte de uma pancitopenia.
Os mecanismos de neutropenia incluem:

  1. Produção inadequada pela medula óssea, decorrente da substituição medular ou granulopoese ineficaz;
  2. Destruição pelos macrófagos da medula óssea e por outras células reticuloendoteliais nas síndromes hemofagocíticas;
  3. Liberação medular defeituosa, como na rara mielocatexia;
  4. Redistribuição dentro da vasculatura, como ocorre no começo da hemodiálise;
  5. Retenção no baço;
  6. Sobrevida intravascular encurtada, como nas nutropenias imunes; (g) rápido egresso para os tecidos, quando a liberação medular não aumenta adequadamente, como nos recém-nascidos com sepse.

São Causas de Neutropenia
Infecções virais: Sarampo, caxumba, rubéola, influenza, hepatite infecciosa, mononucleose infecciosa, citomegalovirose, febre amarela, dengue, infecção pelo HIV em estágio avançado; Infecções bacterianas: Febre tifóide, brucelose, alguns casos de tuberculose miliar, no início de algumas infecções por gram negativos, infecção bacteriana avassaladora, infecção bacteriana em recém-nascidos, infecções por rickettsias. Infecções por protozoários: Malária, calazar e tripanossomíase. Infecções fúngicas: Histoplasmose. Drogas: Agentes alquilantes e outros antineoplásicos e drogas correlatas, reação idiossincrásica a drogas (mais comuns com drogas antitireóideas, sulfonamidas, clorpromazina, ouro), interferon. Irradiação. Substituição da medula óssea: LLA, no mieloma múltiplo, ou no carcinoma. Mielofibrose idiopática e secundária. Granulopoese ineficaz: como na maioria dos casos de LMA e SMD. Anemias: Megaloblástica, aplásica, Hemoglobinúria paroxística noturna. Anafilaxia aguda.

Outras condições que causam neutropenia: Hiperesplenismo. Síndromes hemofagocíticas; Neutropenia imunológica; Neutropenia cíclica, incluindo a neutropenia cíclica que acomete o adulto, associada à leucemia de linfócitos grandes e granulados. Hemodiálise e leucoferese de filtração (no início dos procedimentos). Desordens endócrinas: Hipopituitarismo, a doença de Addison e o hipertireoidismo. Alcoolismo. Deficiência de cobre. Hipercarotenemia.

Desvio a esquerda:
Ocorre quando há aumento do número de bastonetes em relação ao número de neutrófilos segmentados é denominado desvio à esquerda. Quando ocorre desvio à esquerda, também podem ser liberados no sangue precursores de neutrófilos, mais imaturos que os bastonetes (metamielócitos, mielócitos, pró-mielócitos, células blásticas).
O desvio à esquerda é uma ocorrência fisiológica na gravidez. Quando não associado a gravidez indica resposta à infecção, inflamação ou outra forma de estímulo à medula óssea.

Desvio a direita:
No sangue normal, a maioria dos neutrófilos tem de um a cinco lóbulos. Os neutrófilos com seis lóbulos são raros. Diz-se que há desvio à direita quando a contagem lobular média acha-se aumentada, ou quando há uma percentagem elevada de neutrófilos com cinco ou seis lóbulos. A presença de mais de 3% de neutrófilos com mais de cinco lóbulos é o indicador mais prático de desvio à direita. O desvio à direita é visto na anemia megaloblástica, ocasionalmente em pacientes com deficiência de ferro, infecção ou uremia, ou como característica hereditária rara, herdada de forma autossômica dominante.

Eosinofilia:
É a elevação da contagem de eosinófilos acima dos níveis observados em indivíduos sadios, de mesma idade, que não têm história de alergia. As contagens de eosinófilos são mais altas em recém-nascidos do que em adultos. Ao contrário de relatos anteriores, aceita-se que não variam entre diferentes grupos étnicos. O exercício vigoroso aumenta a contagem de eosinófilos, que é proporcional ao aumento dos demais leucócitos.

Causas Mais Comuns de Eosinofilia
Doenças alérgicas: Eczema atópico, asma, rinite alérgica, urticária aguda, aspergilose broncopulmonar e outras infecções fúngicas broncoalérgicas. Hipersensibilidade medicamentosa: Ouro, sulfonamidas, penicilina e nitrofurantoína
Infecção parasitária: Veja neste texto sobre eosino e parasitas.
Doenças cutâneas: Pênfigo, o penfigóide bolhoso, o herpes gestacional e a foliculite pustular eosinofílica.

Eosinopenia:
É a redução das contagen de eosinófilos abaixo do que seria esperado em um indivíduo da mesma idade. A eosinopenia raramente é notada na distensão sangüínea de rotina, e não pode ser detectada a contagem diferencial de rotina de 100 leucócitos, uma vez que eosinófilo é uma célula de baixa percentagem. Desde a introdução das contagens diferenciais automatizadas, a eosinopenia é observada com freqüência bem maior, mas por se tratar de uma anormalidade inespecífica comum, sua detecção não tem grande importância clínica.

Algumas Causas de Eosinopenia
Estresse agudo: Incluindo trauma, cirurgia, queimaduras, convulsões epleptiformes, infecções agudas, inflamação aguda, infarto do micárdio, anóxia e exposição ao frio. Síndrome de Cushing. Drogas: Corticosteróides, ACTH, adrenalina,  – agonistas, histamina e aminofilina; Hemodiálise (durante o procedimento)

Basofilia:
A detecção de leucocitose basofílica é útil na diferenciação entre desordem mieloproliferativa e condição reacional, já que somente nas desordens mieloproliferativas, e em alguma leucemias, é comum observar aumento acentuado da contagem de basófilos.
Na leucemia mielóide crônica, o aumento das contagens de basófios é importante para o prognóstico, pois freqüentemente indica fase acelerada da doença e transformação blástica iminente.
A basofilia associada a leucemia linfóde aguda pode indicar que o paciente é Filadélfia positivo, e a basofilia na leucemia mielóide aguda pode indicar positividade para o cromossoma Piladélfia, ou a presença de translocação (6;9)(p23;q34.3); ambas anormalidades cariotípicas indicam prognóstico adverso. A leucemia basofílica é freqüêntemente Filadélfia positiva, e neste caso deve ser considerada variante da leucemia mielóide crônica.

Algumas Causas de Basofilia
Desordens leucêmicas e mieloproliferativas: Leucemia mielóide crônica, leucemia mielóide aguda (muito raramente), policitemia vera, trombocitemia essencial, mielofibrose idiopática, mastocitose sistêmica, alguns casos de leucemia linfóide aguda Filadélfia positivas, leucemia basofílica.
Basofilia reacional: Mixedema (hipotireoidismo), colite ulcerativa, estados de hipersensibilidade, administração de estrógeno, hiperlipidemia, síndrome hipereosinofílica idiopática, administração de IL-3.

Basopenia:
É a redução da contagem de basófilos abaixo da que seria esperada em um indivíduo sadio. As contagens de basófilos são tão escassas no sangue normal que sua redução não é notada ao exame da distensão ou a contagem diferencial de 100 leucócitos, e pode não ser percebida até mesmo na contagem diferencial de 500 leucócitos. A basopenia pode ser detectada quando a contagem diferencial é realizada em contadores automatizados, uma vez que estes têm faixas de referência para basófilos que não incluem o zero. Porém, a observação de basopenia não tem sido considerada de importância diagnóstica.

Linfocitose:
É o aumento absoluto de linfócitos acima do que seria esperado em um indivíduo sadio da mesma idade. Uma vez que as contagens de linfócitos de lactentes e crianças são consideravelmente mais altas que as dos adultos, é particularmente importante usar faixas de referência adaptadas às idades. A contagem de linfócitos não difere entre os sexos, nem entre diferentes grupos étnicos.

Algumas Causas de Linfocitose
Infecções virais: Sarampo, rubéola, caxumba, varicela, influenza, hepatite infecciosa (hepatite A), mononucleose infecciosa, citomegalovirose, infecção pelo HIV. Infecçòes bacterianas: Coqueluche, brucelose, tuberculose, sífilis, peste, infecção por rickettsias e infecções bacterianas em lactentes e crianças pequenas.Esplenomegalia malárica hiperreativa. Linfocitose transitória : Relacionada ao stresse, infarto do miocárdio, parada cardíaca, trauma, complicações obstétricas e crise falciforme. Injeção de adrenalina. Contração muscular vigorosa. Tabagismo: Causando linfocitose T (comum), ou a linfocitose B policlonal persistente (rara). Administração de citocinas: IL –3 ou o G-CSF. Reações alérgicas a drogas. Esplenectomia. Desordens endócrinas: Doença de Addison, hipopituitaismo, hipertireoidismo. Beta talassemia intemediária. Doença de Gaucher. Timona. Leucemias linfóides e outras desrodens linfoproliferativas: LLC, linfoma não Hodgkin, doença de Hodgkin (raramente), leucemia das células cabeludas, macroglobulinemia de Waldenströn, doença de cadeia pesada, micose fungóide e síndrome de Sézary, leucemia de linfócitos grandes e granulados.

Linocitopenia:
É a redução das contagens de linfócitos abaixo da que seria esperada em um indivíduo sadio da mesma idade. A linfocitopenia é extremamente comum como parte da resposta aguda ao estresse, embora seja freqüentemente obscurecida pelas alterações neutrofílicas coexistentes.
Sua detecção é mais provável quando se faz uma contagem diferencial automatizada e quando as contagens são expressas em números absolutos. Com a crescente importância do diagnóstico da AIDS, caracterizada por linfocitopenia, cuja severidade se acentua com a evolução da doença, é importante lembrar que a linfocitopenia é comum em pacientes agudamente enfermos, independente da natureza da doença subjacente.

Principais Causas de Linfocitopenia
Estresse agudo: Trauma, cirurgia, queimaduras, infecção aguda, insuficiência hepática fulminante. Insuficiência renal: Aguda e crônica (incluindo os pacientes em diálise). Síndrome de Cushing e administração de corticosteróides e ACTH. Carcinoma: Particularmente em doença avançada. Doença de Hodgkin: Particularmente em doença avançada. Alguns linfomas não Hodgkin. Linfopatia angioimunoblástica. AIDS: Estágio final. Terapia citotóxica e imunossupressora: Globulina antilinfocítica e antitimocítica, tratamento com clozapina. Irradiação. Alcoolismo. Artrite reumatóide e lúpus eritematoso sistêmico. Anemia aplásica e agranulocitose. Síndromes mielodisplásicas. Anorexia nervosa. Anemia ferropriva. Aferese plaquetária crônica. Doença do enxerto versus hospedeiro.

Monocitose:
É o aumento da contagem de monócitos acima do que seria esperada em um indivíduo sadio da mesma idade. O número absoluto de monócitos é mais elevado em recém-nascidos do que em outros períodos da vida. Na gravidez ocorre aumento semelhante ao aumento nas contagens de neutrófilos. Ao examinar a distensão sangüínea de um paciente com monocitose a esclarecer, devem ser procuradas outras evidências de infecção crônica ou mielodisplasia. A presença de pró-monócitos e blastros sugere LMA com diferenciação monocítica ou hitiocitose malígna.

Causas Mais Comuns de Monocitose
Infecção crônica: Tuberculose miliar e síflis congênita. Condições inflamatórias crônicas: Artrite reumatóide e lúpus eritematoso sistêmico.
Carcinoma. Administração de citocinas: G-CSF, o GM-CSF, o M-CSF e a IL-3. Reação medular após quimioterapia. Condições leucêmicas e mieloproliferativas: LMC, LMA, histiocitose malígna. Neutropenia cíclica: Neutropenia idiopática crônica alguns casos de neutropenia causadas por drogas. Hemodiálise a longo prazo.

Monocitopenia:
Ocorre nos processos sépticos muito graves e nas leucemias mielóides e linfóides.

Veja anormalidades morfológicas dos neutrófilos e linfócitos.