Formol, usado em hospitais, laboratórios e em alisantes de cabelo, entra na lista dos cancerígenos humanos

O Departamento de Saúde dos EUA e Serviços Humanos que identifica os produtos químicos e agentes biológicos que podem colocar as pessoas em maior risco para o câncer, incluiu em um de seus documentos oficiais, com base científica, o formaldeído ou formol, muito usado em alisamento de cabelo. No Brasil o Inca já reconhecia seu poder carcinogênico com base em quatro pesquisas internacionais.

O formaldeído é um produto químico amplamente utilizado em processos industriais, no laboratório utilizamos em formulações em geral, no hospital é utilizado também para conservar peças e corpos em necrotérios. O formol é comprovadamente prejudicial à saúde por ser tóxico quando ingerido, inalado ou quando entra em contato com a pele, via intravenosa, intraperitoneal ou subcutânea. E cada vez mais comprovado como cancerígeno.

A farmácia prepara e distribui para o centro cirúrgico o formol, que por sua vez coloca as peças de biópsias retiradas nas cirurgias nesta solução. As peças, depois de etiquetadas são enviadas para o laboratório. Portanto, no mínimo três setores lidam diretamente com estes produtos. Também é largamente utilizado em necrotérios.

O formol também é utilizado na fabricação de móveis tipo compensados como resinas, utilizado também em tintas, vidros, germicidas e fungicidas agrícolas, mas principalmente como alisantes de cabelo, nesta área sua aplicação é muito difundida e também contestada.

Como alisante de cabelo, ano passado uma pesquisa realizada pelo Insider, apontou que mais da metade dos salões de beleza do Rio de Janeiro e de São Paulo oferecem alisamento com formol – embora a utilização do produto como alisador seja proibida pela Anvisa.

As autoridades oficiais do governo dos EUA incluíram pela primeira vez o formaldeído no 2º relatório sobre agentes cancerígenos humanos conhecidos:

Estudos em trabalhadores expostos a altos níveis de formaldeído, como os trabalhadores industriais e embalsamadores, têm um risco aumentado para alguns tipos de cânceres raros, incluindo sinonasal nasofaríngea (o nasopharnyx é a parte superior da garganta, atrás do nariz), bem como um câncer específico das células brancas do sangue conhecida como leucemia mielóide.

Em estudos com animais de laboratório formol provoca câncer, principalmente na cavidade nasal do animal.

Não exatamente quem esteja entrando em contato com está substância deva desenvolver câncer, mas depende de muitos fatores, incluindo a quantidade, duração da exposição e propensão do indivíduo.

Os mecanismos como o formaldeído causa câncer ainda não estão totalmente esclarecidos, mas é necessário uma redução urgente do uso deste produto e contenção da sua ação com medidas preventivas, como aumentar a ventilação em locais onde tenha o produto, principalmente pessoas que trabalham diretamente com produtos em seus locais de trabalho devem seguir os requisitos de segurança e saúde padrão.


Escreve sobre exames laboratoriais, testes de farmácia e tecnologia em saúde. Compartilha neste site que fundou em 2006 experiência de um laboratório dentro de hospital.

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  • Camila

    Silvano, Você noticiou ontem e hoje eu vi no jornal Hoje uma matéria, até carro novo também tem formol. Agora essa coisa dos alisantes vai ter que mudar os produtos usados para esse fim logo logo.

    • http://www.plugbr.net Silvano Vilela

      Camila, então, eu não tinha citado carro novo, um cheiro tão bom não pode ser de formol. Mas quando diz que teremos que buscar solução para o problema, principalmente de alisamento de cabelo, que afeta muitas pessoas, para encontrarmos produtos alternativos, verdadeiramente tem razão, mas já temos no mercado bons produtos que cumprem bem a função a qual se destinam sem uso de formol.
      Uma delas é a De Sírius Cosméticos com uma linha conhecida como K Liss que usam oxoacetamidas de carbocisteína.

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