TSH é o hormônio tiroestimulante, uma substância glicoprotéica que é lançada na corrente sanguínea pela hipófise anterior, tem a função de estimular a tireoide, glândula em forma de borboleta localizada na frente da traqueia, para que ela libere T3 e T4. Veja neste texto orientações para realizar o exame TSH ultra sensível, como coletar o sangue, jejum recomendado, resultado normal ou alterado com nível alto ou baixo, indícios de hipotireoidismo ou hipertireoidismo.

O teste de TSH pode ser considerado como sendo o melhor exame quando usado de forma isolada para a investigação e diagnóstico de hipotireoidismo e hipertireoidismo, realizado com a intenção de diagnosticar disfunções tireoidianas. Nos casos de hipotiroidismo primário o TSH se mostra elevado e, em casos de hipertiroidismo, o hormônio se encontra com nível baixo ou indetectável.

Jejum e demais orientações para coleta do sangue quando o médico solicita exame TSH ultra sensível

Pode ser que no pedido de exame feito pelo médico, ele use nomes como tireotrofico, tireoide Tsh, Tsh ultra sensível, ou super sensível, de segunda ou de terceira geração, Hormônio tireoide, tireoestimulante, tsh hipófise, mas todos estes remetem ao exame para avaliar os níveis do hormônio TSH.

Antes da coleta do sangue é necessário fazer um jejum de pelo menos 3 horas, sendo que a coleta da amostra biológica será realizada pelo técnico do laboratório que irá retirar um pequeno volume de sangue da veia do braço, usando uma agulha fina.

coleta de sangue para exame laboratorial

O material será colocando em tubos de ensaio, posteriormente levados para análise, realizada em equipamento automatizado que emitem o resultado do teste.

No momento da realização do cadastro, não se esqueça de informar os medicamentos em uso no último mês, especialmente hormônios tireoidianos, glicocorticóides e amiodarona.

Se você for realizar o exame para controle, e estiver tomando algum dos hormônios tireoidianos, medicamentos como Puran T4, Levoid, Euthyrox ou Synthroid, a coleta do sangue deve ser realizada antes de próxima dose ou, no mínimo, quatro horas após a ingestão do medicamento.

Se estiver fazendo uso de biotina ou de suplementos que contenham a biotina presente na fórmula, é indicado suspender por 3 dias antes da coleta do sangue no laboratório.

Valores de referência – Resultados normais de TSH

Uma das metodologias utilizadas para análise é o ensaio por eletroquimioluminométrico de terceira geração, com sensibilidade para identificar níveis inferiores a 0,05 mUI/mL.

Veja quais os resultados normais para cada faixa etária.

Na 1ª semana de vida o valor normal é até 15,0 mUI/L.
De uma semana a 11 meses o valor normal é de 0,80 a 6,3 mUI/L.
De 1 a 5 anos o valor normal é de 0,70 a 6,0 mUI/L.
De 6 a 10 anos o valor normal é de 0,60 a 5,4 mUI/L.
De 11 a 15 anos o valor normal é de 0,50 a 4,9 mUI/L.
De 16 a 20 anos o valor normal é de 0,50 a 4,4 mUI/L.
Para idades acima de 20 anos o valor normal é de 0,45 a 4,5 mUI/L.

Conforme recomendação da Associação Americana de Tiroide (Ref: Thyroid. 2011: 21(10):1081-125), durante a gestação os valores normais de TSH ao realizar o teste no primeiro trimestre o valor normal é de 0,1 a 2,5 mIU/L; quando estiver no segundo trimestre o valor normal é de 0,2 a 3,0 mIU/L; e no terceiro trimestre o valor normal é de 0,3 a 3,0 mIU/L.

No entanto, alguns especialistas em saúde sugerem uma novos valores de referência. Segundo a Associação Americana de Endocrinologistas Clínicos, o intervalo normal de TSH deve ser entre 0,3 a 3,0 mIU/L.

Enquanto alguns prestadores de cuidados de saúde seguem os novos valores, outros preferem o intervalo de referência de idade proposto até então. Os resultados devem ser interpretados, juntamente com os resultados do teste de T3 e T4, e os sintomas devem ser fortemente considerados.

Um baixo nível de T3 e T4 no sangue estimula a hipófise a produzir mais TSH e vice-versa. Assim, a avaliação do nível de TSH no sangue contribui para avaliar o funcionamento da glândula tireoide.

Veja que os próprios níveis de T3 e T4, e o hormônio liberador de tirotrofina TRH hipotalâmico, regulam os níveis séricos de TSH.

Resultados alterados de TSH com níveis altos ou baixos

Temos como problemas mais comuns relacionados com o funcionamento da glândula tireoide o hipertireoidismo e hipotireoidismo.

No hipertireoidismo ocorre uma hiperatividade da glândula tireoide caracterizado por um excesso de hormônios tireoidianos no sangue.

No hipotireoidismo ocorre uma hipoatividade da tireóide e um baixo nível de hormônios da tiróide.

Avaliar os níveis de TSH é importante no diagnóstico do hipotireoidismo primário, sendo o primeiro hormônio a se alterar nessa condição.

TSH estará com níveis altos principalmente do Hipotireoidismo primário, Tireoidite de Hashimoto, na secreção inapropriada de TSH (tumores hipofisários produtores de TSH) e no Hipotireoidismo subclínico.

No caso de um hipotireoidismo subclínico o TSH está elevado, o T4 livre, T4 total e o T3 podem apresentar níveis normais, sendo que nas mulheres com mais de 50 anos de idade a prevalência de hipotireoidismo subclínico é de 15 a 20%.

Níveis de TSH baixo ocorrem principalmente no Hipertireoidismo primário, Hipotireoidismo secundário ou terciário, na Síndrome do Eutireoidiano Doente e no Hipertireoidismo subclínico.

Alterações transitórias dos níveis de TSH podem ser vistas em casos de Tireoidites autolimitadas, em que o TSH pode apresentar-se inicialmente reduzido, a seguir elevado e finalmente normal com a resolução do quadro.

Sintomas no hipotireoidismo e no hipertireoidismo

Quando uma pessoa sofre de hipertireoidismo pode apresentar sintomas, como taquicardia, perda de peso, diarreia, nervosismo, períodos menstruais irregulares, insônia, olhos inchados, entre outros.

No hipotiroidismo observamos sintomas, como períodos menstruais irregulares, ganho de peso, fadiga, constipação, perda de cabelo, intolerância ao frio, pele seca.

Alguns medicamentos podem interferir no resultado do teste laboratorial, entre eles dopamina, corticóides, carbamazepina, triiodotironina, amiodarona, clomifene, haloperidol, fenotiazidas, morfina, propiltiuracil e TRH.

Finalmente, para realizar um diagnóstico correto, não avalie o resultado de um teste isoladamente, outros exames complementares devem ser realizados, o médico vai observar também os sintomas e reunir todas as informações para chegar a um diagnóstico preciso e indicar medicação caso seja necessário.