Exame do escarro – Diagnóstico de tuberculose, pesquisando bacilos de Koch BAAR

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A tuberculose é uma doença infecciosa que acomete geralmente os pulmões podendo afetar outros órgão. Neste texto vamos abordar questões relativas a realização do exame, coleta da amostra de escarro, quantas amostras deve ser coletadas, quando levar ao laboratório para realização do exame e outras informações importantes sobre o exame do bacilo de koch (BK) ou BAAR.

A tuberculose humana é causada por cinco espécies de bactérias pertencentes ao gênero Mycobacterium (micobactéria) que designa as bactérias que apresentam algumas características semelhantes aos fungos quando cultivadas em meio líquido. No Brasil, quase todos os casos têm como agente etiológico o M. Tuberculosis conhecido como bacilo de koch (BK). As micobactérias têm a forma de um bastonete e, por isso, todas as espécies são classificadas morfologicamente como bacilos. As micobactérias guardam uma capacidade de reter corante, não descorando mesmo após a lavagem com uma solução de álcool-ácido, durante coloração realizada no laboratório. Por este motivo, as micobactérias são classificadas como Bacilos Álcool-Ácido Resistentes, que a prática clínica e laboratorial identifica apenas como BAAR.

Como se adquire o bacilo da tuberculose?

O bacilo da tuberculose é adquirido, principalmente pela inalação de partículas infectantes no ar, que são gotículas muito pequenas espalhadas no pela fala, tosse e espirro de uma pessoa com tuberculose pulmonar. Através da respiração, os bacilos chegam aos alvéolos pulmonares onde podem ser destruídos, ficar latente ou começar a multiplicar. Nem todas as pessoas que adquirem o bacilo desenvolvem tuberculose, apenas cerca de 10% a 20% se tornarão doentes. A tuberculose pulmonar é a forma mais frequente e importante.

Quais os sintomas da tuberculose pulmonar?

Além da tosse com expectoração constante por mais de 3 semanas, este é o paciente sintomático respiratório. Sintomas como febre, suor noturno, falta de apetite, cansaço, falta de ar e emagrecimento rápido podem ser identificados. Escarro sanguinolento também pode surgir.

Como é feito o diagnóstico laboratorial da tuberculose?

O diagnóstico da tuberculose que é feito por:
Exame clínico, exame radiológico de tórax, prova ou reação tuberculínica, conhecida também como PPD (Purified protein derivative, derivado purificado de fração proteica antigênica do bacilo) Ou reação de Mantoux, é uma reação intradérmica que apenas verifica se o indivíduo teve ou não contato com o bacilo. E por fim o diagnóstico laboratorial, que confirma a tuberculose.
O diagnóstico laboratorial da tuberculose é feito através da baciloscopia, exame realizado no microscópio, pesquisa os Bacilos Álcool-Ácidos Resistentes – BAAR em esfregaços de amostras preparados e corados com metodologia de ziehl-Neelsen.

Outro método usado é a cultura, permite o isolamento e a multiplicação do BAAR, em meios de cultivo especiais para micobactérias.
As amostras utilizadas no diagnóstico laboratorial da tuberculose, além do escarro pode ser utilizado vários outros tipos de amostras biológicas, depende de qual é a suspeita clínica, qual é a forma de tuberculose investigada.

Coleta da amostra de escarro para exame laboratorial

Na rede SUS o paciente pode procurar o posto de saúde do bairro onde mora e fazer uma consulta com o médico e ele vai solicitar o exame, que poderá ser realizado no laboratório do próprio posto de saúde ou se não existir neste local a atendente deve informar onde poderá encontrar o serviço laboratorial que disponibilize o exame.

A coleta do escarro deve ser feita em um pote fornecido pelo laboratório, preferencialmente deve ter boca larga, tampa rosqueável e ser de plástico transparente. É fundamental identificar com o nome do paciente e a data da coleta escritos no pote e não na tampa.

Quantas amostras de escarro devem ser coletadas para realização do exame diagnóstico?

Segundo as normas preconizadas pelo Ministério da Saúde, deve ser coletado duas amostras de escarro de cada paciente, aumentando as chances de obter um resultado positivo.
As amostras devem ser coletadas desta forma:

Primeira amostra coletada quando o paciente procura a rede de atendimento de saúde com sintomas respiratórios, assim garantimos a realização do exame laboratorial. Não é necessário estar em jejum.

Segunda amostra deve ser coltada na manhã do dia seguinte, assim que o paciente despertar. Essa amostra geralmente tem maior quantidades de bacilos.

Orientações para coleta de amostra de escarro:
Coleta da primeira amostra na unidade de saúde

  • Lave a boca fazendo bochechos com bastante água. (não é necessário estar em jejum).
  • Fique em local arejado, ao ar livre e sozinho,
  • Abra o pote fornecido pela unidade de saúde,

Force a tosse, assim:

  • Inspire profundamente, puxando o ar pelo nariz e fique com a boca fechada, prenda a respiração por alguns instantes e solte o ar lentamente pela boca. Faça isso mais duas vezes.
  • Inspire profundamente mais uma vez, prenda a respiração por alguns instantes e solte o ar com força e rapidamente pela boca.
  • Inspire profundamente mais uma vez, prenda a respiração por alguns instantes e, em seguida, force a tosse para poder liberar o escarro que está dentro do pulmão.
  • Escarre diretamente dentro do pote. Cuidado, evite que o escarro escorra por fora do pote.
  • Repita as orientações  por mais duas vezes até conseguir uma quantidade maior de amostra.
  • Feche firmemente o pote e proteja da luz solar, carregue sempre com a boca para voltada para cima e entregue ao profissional que deu as informações de coleta.

Coleta da segunda amostra

  • Para coletar a segunda amostra é importante que no dia anterior à coleta a pessoa beba muita água, no mínimo 8 copos de água (ajuda a soltar o escarro que está no pulmão) e durma sem travesseiro, facilita a saída do escarro na hora da coleta.
  • No dia da coleta assim que despertar , lave a boca com água e neste caso em jejum, force a tosse e escarre dentro do pote, seguindo as orientações da coleta da primeira amostra.

Para controle do tratamento coleta-se apenas uma amostra.

Não esqueça de levar a requisição do médico, o pedido do exame.
Importante: O escarro é uma secreção viscosa de coloração esbranquiçada, esverdeada, amarela ou avermelhada quando tiver sangue. E a amostra adequada é o escarro e não a saliva.

Quando o paciente tem pouca secreção e não consegue expelir o escarro, neste caso a primeira e segunda amostras é feita a coleta por indução, nebulização com solução salina hipertônica a 3% durante no mínimo 5 e no máximo 10 minutos, depois basta seguir as orientações de coleta feitas anteriormente.

Depois de entregar o material no laboratório o exame será realizado no mesmo dia, lâminas com esfregaço de escarro serão coradas e analisadas ao microscópio para encontrar o bacilo BAAR, se encontrado o resultado será liberado positivo e a baciloscopia (quantidade de cruzes, quanto mais, maior o número de bacilos encontrados) ou então será negativo. Leve o resultado ao médico que solicitou para analisar e confrontar com as características clínicas do paciente e realizar o tratamento caso necessário.

As recomendações contidas neste texto fazem parte do programa telelab para unidades de diagnóstico, e observações da prática laboratorial.


Escreve sobre exames laboratoriais, testes de farmácia e tecnologia em saúde. Compartilha neste site que fundou em 2006 experiência de um laboratório dentro de hospital.

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    Se o paciente realmente não colaborar, por algum motivo, o médico assistente deve indicar como coletar no caso específico, ou seg. manual cve:
    Coleta do escarro
    * Recomenda-se a obtenção de uma amostra de escarro
    através de indução, utilizando nebulização com solução
    salina hipertônica (5ml de NaCl 3%);
    * Para obtenção da solução a 3%, utilizar o seguinte recurso:
    * Usar 5 ml de Soro Fisiológico a 0,9% + 0,5 ml de NaCl a 20%;
    * Não utilizar solução preparada com água destilada e NaCl pois pode
    causar broncoespasmo, dificultando ainda mais a expectoração.

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